Qual a relação direta entre problemas financeiros e saúde mental

Você sabia que existe uma relação direta entre problemas financeiros e saúde mental? Pois é! Embora haja, sim, alguma verdade naquele ditado que afirma que “o dinheiro não traz felicidade”, fato é que a ausência dele tem o potencial de não apenas provocar muitas preocupações, mas também de causar problemas mais profundos e de maior gravidade, impactando negativamente o nosso bem-estar.

Isso é o que reforça, inclusive, um levantamento que foi realizado pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), que demonstra, por exemplo, que a porcentagem de brasileiros que sofrem de ansiedade em razão de pendências em atraso teve um aumento exponencial.

A verdade é que, no atual cenário, não há como falar de saúde financeira sem relacioná-la à mental e vice-versa, já que, da mesma forma que as finanças afetam expressivamente o estado psicológico de um indivíduo, o oposto também ocorre, podendo até gerar reflexos na saúde física, causando um desequilíbrio no organismo como um todo.

Considerando esse contexto, neste post, traremos algumas sugestões que podem ajudá-lo a organizar o seu orçamento e, como consequência, recuperar o seu bem-estar emocional. Vamos conferir?

Quais são as medidas que podem ser colocadas em prática para se organizar financeiramente?

A organização financeira é a chave para eliminar eventuais transtornos e inconvenientes causados pelo descuido com o orçamento e pelo endividamento, que, consequentemente, afetam o estado emocional. No entanto, essa tarefa nem sempre é fácil, principalmente quando já se lida com problemas que dificultam uma visão mais clara e realista das próprias decisões e das suas consequências. Por isso, a seguir, elaboramos uma espécie de passo a passo que o ajudará a retomar o controle dos seus gastos.

Invista em educação financeira

Uma das formas mais eficazes de evitar que erros passados sejam novamente cometidos é, sem dúvida alguma, munir-se de conhecimento e o melhor caminho para tanto é investir em educação financeira. Contudo, a falta desse hábito revela-se, na verdade, um problema até mesmo cultural, como se pode constatar a partir dos dados de uma pesquisa do Ibope, que mostram que apenas cerca de 21% das pessoas receberam educação financeira até os 12 anos.

Além disso, dessa parcela, cerca de 45% nem mesmo compartilha as informações sobre o orçamento doméstico com os filhos. O primeiro passo para mudar as presentes circunstâncias é buscar cursos de finanças e outras capacitações que poderão não somente auxiliá-lo a solucionar os problemas preexistentes, mas também a evitá-los — agindo até mesmo de maneira mais consciente — no futuro.

Elimine as dívidas sempre que possível

Acredite: não há nada melhor do que ter a sensação de “recomeçar” sem precisar lidar com pendências não quitadas. Então, para se organizar financeiramente, um excelente segundo passo a ser dado é estudar os seus débitos e dedicar os esforços possíveis com o intuito de eliminá-los.

Ao fazê-lo, você provavelmente sentirá mais bem-estar. Além disso, após finalizar essa etapa, você pode, inclusive, começar a separar uma parcela da sua renda para criar uma reserva de emergência ou, quem sabe, até para fazer investimentos ou manter uma poupança.

Controle bem os seus ganhos e os seus gastos

Mais uma ação a ser colocada em prática a fim de melhorar a sua saúde financeira e, consequentemente, a sua saúde mental é buscar ter uma visão realista das suas receitas (o que você ganha, os seus rendimentos) e das suas despesas. Desse modo, você passará a entender o seu estilo de vida e também identificará quais são as fontes dos seus gastos mais elevados.

Depois disso, será viável fazer eventuais ajustes se necessário. Nesse momento, lembre-se de que, embora modificar os hábitos de consumo não seja uma missão fácil, é essencial fazê-lo para colocar o seu orçamento em dia.

Evite fazer compras por impulso

A ausência de dinheiro, na maior parte dos casos, é algo perfeitamente reversível quando a mente consegue atingir um ponto de equilíbrio. Dessa maneira, torna-se bem menos difícil encontrar boas soluções para quitar eventuais dívidas e começar a poupar.

Nesse sentido, o mais importante a se fazer é dar fim ao padrão de gastar impulsivamente — ainda que isso acabe por funcionar como uma espécie de “compensação” pela ansiedade sentida ou por outros sentimentos negativos semelhantes. Então, tenha calma, estude a sua situação financeira atual e liste as alternativas para cuidar tanto da sua saúde financeira quanto da sua saúde mental.

De que maneira uma saúde mental prejudicada pode afetar as decisões financeiras?

Na introdução deste post, mencionamos brevemente que o enfrentamento de desafios financeiros pode impactar negativamente a saúde mental, porém, o oposto também é uma verdade. Isso porque os problemas emocionais podem afetar — e muito — as decisões relativas ao seu orçamento, afinal, quando estamos passando por situações delicadas, tendemos a fazer más escolhas, inclusive no que diz respeito ao modo de gastar o nosso dinheiro.

Essa constatação é reforçada pelo estudo da The Decision Lab e da Capital One “Mind over Money”, que demonstra que os níveis de estresse têm o potencial de afetar de modo negativo a nossa capacidade de tomar decisões financeiras mais racionais. Ou seja, quando estamos sob estresse, nós geralmente temos menos controle sobre nós mesmos, não conseguimos economizar e passamos a ter uma conduta mais compulsiva em relação às compras.

Além disso, indivíduos que já enfrentam transtornos mentais, conforme os dados do Money and Mental Health Policy Institute, têm maior probabilidade de contrair dívidas em comparação aos demais. Isso só mostra que as finanças geram reflexos sobre a saúde mental, mas a saúde mental tem o igual potencial de afetar as finanças.

Como vimos, é inegável a relação existente entre problemas financeiros e saúde mental, de modo que um pode impactar o outro. Contudo, independentemente do fator que vem motivando o seu desequilíbrio orçamentário, a importância de organizar as finanças vale para todos, pois somente assumindo o controle sobre os seus gastos — agindo de maneira consciente — e eliminando sempre que possível as pressões financeiras, que tanto perturbam o estado psicológico, será viável preservar o próprio bem-estar.

E você? Como vem cuidando do seu orçamento até aqui? Deixe o seu comentário e compartilhe a sua experiência em relação aos reflexos dos problemas financeiros sobre o equilíbrio mental e como você tem tentado contornar a situação.